domingo, 9 de novembro de 2008

Link pra vida amorosa: Declaração

Você é cheia de punho e topete,
tem uma cara bonita e eu te amo.
Você pode ser o meu homem.
Aí podemos viver felizes juntos.
Eu faço as compras com o seu dinheiro,
te espero com um abraço gostoso
e ensino aos nossos filhos sobre a vida.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Sono animal

Abri a porta para que o Puff pudesse dormir pra dentro de casa. Faz frio pra cachorro, lá fora. Frio é coisa que eu não sou. Mas tenho fome.

É bonito ver o Puff no seu sono profundo, no tapetinho da cozinha, saber que está profundamente agradecido por eu deixar ele entrar na cozinha. O chão da cozinha é frio pra mim, mas é quentinho pra ele. Sono profundo até a hora que eu acendo a luz e abro a geladeira como um monstro esfomeado. Tenho fome, mas não tenho comida aqui no meu quarto. Já o acordei duas vezes nessa minha invasão do refúgio que eu mesmo criei. A cara dele, com os pêlos amassados de um lado, olhando pra mim com aquele olho, me dá dó, e raiva de mim mesmo.

Raiva de ter esses costumes humanos vergonhosos. Ter que ficar botando comida na geladeira e optar por ficar acordado na noite. De ter que colocar o pãozinho no forno, pra que derreta a manteiga. Ter que ficar abrindo portas que nem ao menos precisavam estar ali, a não ser pra fazer mais barulho e acordar com mais efeito o pobre animal que nada mais faz além de dormir no escuro.

Tenho que dormir logo, antes que me bata outro ataque de fome.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O problema de um homem comum

Justo nos seus quatorze anos. Nos quatorze! Deus não era seu amigo, mesmo. O doutor olhando pr'aquelas folhas negras, que tratava de radiografias dorsais, torceu o queixo pra se dirigir à mãe daquelas manchas translúcidas, no papel preto, quais passavam uma luz branco-cru:
- Bom, a única solução seria que o garotão usasse um colete ortopédico como esse daqui. Mostrando uma foto aterrorizante de um exemplar, o qual fez mãe e filho estimularem tremendamente a imaginação pra entenderem como aquilo pudesse se encaixar num homem comum.
- Meu Deus! A mãe abre a boca.
- Essa é última reação que uma mãe deve ter em frente ao filho. Advertiu o Doutor.

O fim da consulta foi um grande espetáculo de descaso, nem ao menos um retorno marcado.
A cara de espanto da mãe corrobora com o fato de que esse “colete ortopédico” fosse o terror dos jovens tortinhos. Partiam da cintura, uns ferros grotescos que subiam até o pescoço, cujo contornado por um injusto anel de ferro: Uma grandiosa submissão do homem orgânico para com aquelas estruturas maquinadas que reprimiam o seu subordinado de alguns movimentos essenciais e satisfatórios.

“Não! Afinal, o que são umas dorezinhas das costas?”, o rapaz não ia se sujeitar àquela situação humilhante. O que seriam de suas paixões a serem conquistadas? Seria visto com olhos de piedade, conseqüência de hesitações a dirigir-lhe piadas, hesitações por receio de magoar-lhe. Degradante. Foi um “bem-vindo” à eterna companheira, a dor.

Dor que não havia igual. E não adiantava reza braba, medicina alternativa e o que fosse. Passou então a descarregar toda a fúria e moléstia da vida culpando a tal parasita, isso o amortecia e fazia viver. Era a dor que o fazia perder tempo e desprender a atenção nos testes da escola, concursos, leituras, produções: na vida. Ela o fazia ficar se alongando e se contorcendo, erguendo os braços e rebolando o lombo com um propósito eterno, subconsciente, de cessar a maldita dor.

Teu corpo parecia um grande anzol humano tendo a omoplata como fisga. Mas tudo bem, “eu sempre odiei aqueles caras eretos e nojentos, com pose de pilar greco-romano” era satisfeito com a fachada, ao menos. Tua maldição não era por completa exagerada.

Mesmo assim, cansa de lutar, sempre, contra seu maior inimigo, e desiste, sempre, a curto prazo. Cada vez mais devastado, cansado e desafortunado. Eis aí um homem confinado a carregar um fardo de desgraça pro leito.
Talvez encontre uma esposa fisioterapeuta-massagista pomposa e gostosa, não que isso adiantasse, mas seria um conforto a troco dessa grande tristeza orgânica.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A Felicidade

A felicidade é uma minhoca que nasce no vaso sanitário.
- Rafael Castro

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O mais novo ex-funcionário

E ainda tenho que suportar toda a avareza tua.

A gente nasce e já ouve mileuns palpites pro próprio destino. Compram-nos uma camiseta dum time de futebol qual nem mesmo discernimos a cor e dizem “esse vai ser corintiano!”. Botam-nos numa escolinha e nos ensinam a ler. Daí, a gente cresce e vira moço. Pagam-nos um cursinho porrada, ou uma faculdade daquelas firmezas.

A gente passa a vida toda estudando, sonhando, pagando e estudando, de qualquer jeito.

Isso, a gente sonha... Sonha trabalhar pra Embraer, General Motors e o escambau. Botar aquele sorrisinho lindo na cara e aquele uniforme estilo ridículo: macacão e quepe.

Então dá tudo certo e temos o tal emprego, ganhando nosso dinheiro de volta, com a razão estampada na testa e o emblema da empresa no peito.
Mas não é o suficiente, afinal somos humanos e nossa vida não pode continuar sem aspirar um destino. É aí que somos calados com uma proposta da mais justa e linda “aqui você pode subir!”, diz nosso superior, “pense na empresa como uma escada”, e nós subimos, estudamos mais e nos esforçamos mais pra poder subir cada vez mais. Subir, pra onde? Para um cargo melhor, um que nos renda mais dinheiro. Simplesmente.

Subimos! Subimos até um ponto que não existem mais degraus. Temos maços de dinheiro para comprar nossas porcarias há tempos almejadas. Notamos, por fim, que mesmo daqui do alto, tem, é claro, uma criatura mais bem afortunada, com mais maços de dinheiro e porcarias bem melhores que as nossas. Esse cara nos faz obedecer-lho. Fazemos. Mas é assim mesmo, é só, depois, dar aquele sorriso e ir para casa. Sofremos, pagamos e estudamos a vida toda para cumprir umas ordens a troco de dinheiro.

Portanto, patrão, não me faça ter de suportar toda essa tua avareza.

Às Amigas

Às minhas mais contemporâneas amigas, escrevo este texto e, também, em homenagem à minha frouxidão, que me coíbe de qualquer desabafo convosco.
O tema é a minha insônia, a qual me incentiva a escrever-lhas. Para explicá-la, terei de cuspir e vomitar umas filosofias para que a ópera não seja criticada ridícula.
Essas tais filosofias não passam de umas análises psicológicas de fundo de quintal, porém que as venho realizando-as ao longo da vida.
Digo-lhes a princípio, amigas, que percebo ao longo desses anos que toda atitude humana pode ser justificada por uma razão egocêntrica, sempre por um simples e mesquinho benefício próprio. Que não me joguem pedras, mas até o ato dito mais puro e inocente é decerto egocêntrico, desde o escolher do tomate na feira até o rapaz que ajuda a velhota a atravessar a rua para se erguer no ânimo de garoto-solidariedade. Pedras? Parece ser um assunto polêmico, mas, custa-me dizer que ainda não me conseguiram provar o contrário.
Venho, ao longo desse mesmo tempo, me desafiando quanto às minhas atitudes, sempre procurando pelas mais desafiadoras. Como dizer à minha mãe “eu te amo” a ignorá-la. Ou então um “é, você tem razão” a persistir em uma teimosa discussão, mesmo certo de meu ponto de vista.
Existe uma dedução de que a amizade entre homens e mulheres não passa de uma máscara para uma relação amorosa, sexual, afetuosa. Venho tentando, então viver o oposto disso, mas me decepciono cada vez mais, ao perceber que não sou capaz de tal valor. A suas amizade só pode beneficiar-me mais a uma amizade masculina, pelo afeto e carinho que têm a me oferecer. E me esclareço, de que não há nada mais de impuro e mesquinho em saber que meu interesse é de me deitar com qualquer uma de vocês e trocarmos ternura, carícias e atenções, sem as quais planto em mim desejos e colho a insônia.

Carta

Desculpa-me, desculpe por ser assim, tão estranho, tão ingrato, indeciso. De querer mudar o mundo, quando o que eu precisava é de um pouco do velho conservadorismo. De estar sendo tão literário – é algum problema em relação à cartas -, de alimentar devaneios, de ter tantos almejos, ser tão mesquinho e tolo. Preocupei-me com você agora, tamanha foi minha grosseria a ponto de desmoronar qualquer tipo de relacionamento ainda aprumado.

Tenho vergonha de ti, e não é da minha nádega branca e chocha, mas desse comportamento arrogante, pretensioso e mesquinho que ando cultivando.

Desculpa-me pela atmosfera de inferioridade que proporciono, não se sinta submissa, já que na verdade sou eu a você. Desculpas por ser tão chato, burro e fingido.

Das vezes que fui correndo embora depois de me satisfazer, não passaram de um ataque eufórico de medo, medo de você. Sou um boboca de bunda aberta pro mundo.
Se acha que não tenho sentimento, desculpa, desculpa por não ter sentimento e ficar só me comportando de acordo com as vantagens da situação. Se posso eu estar apaixonado por duas pessoas simultaneamente, é por não ter sentimentos ou ser fora do comum. É, sou a aberração do mundo contemporâneo, sendo chicoteado por todos os lados justamente.


Se tenta me esquecer, prometo fazer lembrar-se de mim. Tenho de fazer honrar minha estirpe.
Prometo, ao menos, não faltar-lhe com respeito.

Abraços fraternos, aqueles de sempre, nada demais, sabe?

O Refúgio

E perdura a quente estiagem na cidadezinha, por mais um ano, sete meses e doze dias. Alguns meses mais e vão estar, pela manhã, lavando o rosto numa folha de jornal, ao invés da toalha umedecida que ficava embaixo do sujeito enquanto dormia.
A sede é saciada pelas mangas ainda verdes e murchas que, poucas, vingaram no pé. Ah, mas a guerra, a guerra, sim, por essas deliciosas frutas poucas, não é das fracas. Os moleques mais esguios e experientes que ficavam nos galhos mais altos, não hesitavam em distribuir uns pontapés nos que vinham logo de baixo. E as velhinhas, daquelas que já ganhara pelo tempo uns centímetros a menos e cultivavam a corcunda que as impedia à escalada, levavam cestas de pedras e voltavam com uma ou duas mangas e nenhum troço de remorso por ter acertado em cheio na cabeça dos jovens, que no alto tentavam se protegerem.

Um rio enorme a vinte quilômetros da cidade ficava. Enorme não só, mas uns dos mais largos de todo o Brasil. O rio, um enorme chamariz, era infestado de cachorros, gatos, ratos, pássaros de todas as sortes: um enorme safári. Na cidade, lá próxima, caravanas de donas de casa se organizavam, carregando três bacias cada uma e iam cambaleando aos solavancos por entre as enormes rachaduras da estrada. Quando chegavam com um restinho de fôlego e os lábios abrindo, se jogavam à margem e desistiam de levar de volta as bacias, largavam-nas lá mesmo, ou até não voltavam para a cidade nunca mais – eram então deserdadas – e também seria eu, caro leitor, pois aquela sociedade a beira rio era um grande paraíso. Algumas morriam de tanto beber água e boiavam no rio, levadas pela correnteza.

“O que acha, vai chover hoje?” nunca mais se ouviu. Fora consentido que Deus fizera uma enorme barreira para as nuvens e estavam confinados àquela vida seca e miserável.Não que não fossem felizes, claro.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Amarelinhas

Odeio-te, folha pequena!
Odeio-te, por eu ter de corrigir suas ilusões sobre as extensões da minha escrita e ainda assim receber a incomensurável insatisfação ao reescrever na folha razoável.

É, homem, tome cuidado

Lucindo, sereno devia ser seu sobrenome. Casado com Joana Domingos, mulher das mãos calejadas, e de brabeza e dentes fortes, que rangiam quando alguma joça parecesse estar fora dos trinques. Juntos, um casal de classe média descendente, graças à má vontade do macho. Macho? Dos que fazem jus à classe masculina, que botaria no topo da pirâmide das palavras ofensivas o “mariquinha” e “boiola”. Ele não comia: se empanturrava, não importante com o que, mas que sustentasse seu orgulho de pança, recheada da mais ordinária cerveja.

Queixas era o que mais saia da boca de Joana. Também, ela da laia extremista, a que derrama prantos escondida no banheiro, por uns talheres ainda com pedaços de feijão largados pelo marido. Os prantos eram sempre de almejo e insatisfação, pois já suportava há tempo demais naquela vida carregando a mais pesada máscara de humildade.

Lucindo estava estirado no sofá, com sua serenidade, a barriga farta e olhar diáfano. Sustentava a lugubridade do clima, esperando o dia acabar.

- Ainda tem aquelas balas de caramelo no pote azul? - Sofria para falar, lutando com sua biologia, forçando um empate com o cansaço.

-Já chega dessa palhaçada! – nesse momento, Lucindo abre uma leve vantagem na sua luta – Você não traz comida pra essa casa desde que... Sei lá desde quando! Não vejo você fazer um mínimo esforço sequer, fica aí adorando o próprio umbigo e ainda tem o topete de pedir balinhas de caramelo! Enquanto eu me afogo nessa sujeira, nesse destino lastimoso, trancafiada nesse casebre! Não sabe você o quanto eu trabalho aqui, fazendo a mesma porcaria de serviço por anos ou talvez até décadas! E você que goza de um serviço que diz ser a nossa bênção, de boa índole e o diabo a quatro, não traz uma porcaria de saco de comida pra casa, nem ao menos compartilha dessa minha tristeza. – Embriagada pela torrente incontrolável de desabafo, dando passos largos pra lá e pra cá, dá um chute tremendo na quina da mesa, que faz-la soltar um enorme suspiro e cair uma lágrima comovente. Continua.

- Juro que saio daqui qualquer dia, paro com tudo e vou buscar um trabalho de verdade como esse teu aí. Eu sei, eu sei; você acha que não sou capaz, que é preciso de disso e daquilo, não é? Ah, mas eu juro sim senhor que pulo pra fora desse poço e te deixo aqui, abandonado aqui com essa poeira toda e então vai ser a minha vez de fazer alguma coisa de verdade, aí você vai aprender como é que se ganha dinheiro!

Lucindo, por um coçar de barriga, revela aos leitores que o rebuliço era fato cotidiano. Não obstante de revigorar umas lembranças infantis. Ainda com um giz na mão e o guidão da bicicleta em outra, em frente a um muro branco e largo, vizinho de sua casa. É então que sua mãe sai para o quintal, varrer a calçada e o pega com a mão na massa. Grita “entra já aqui, Lucindo Gonzaga!”, ele leva um susto enorme, e num pulo dos grandes, monta com firmeza na bicicleta. Porém, sabe que se sair pedalando em sentido oposto, uma hora ou outra ia ter que voltar para a sua casa e ainda assim levar o sabão de sua mãe, senão pior. Portanto, rende-se. “Você vai agora com esse balde d’água limpar aquela porquice no muro do pobre Alírio!” Lucindo, ‘inda traquinas, sacode a cabeça de mostra o bico. “Ah, então é assim? Espera só seu pai chegar do serviço pra eu contar tudo a ele!”

- E não levanta os olhos de descaso enquanto falo contigo!

Fobia de Alegria Alheia

Desculpem o chavão, mas venho acumulando rancor contra a gargalhada. Ela vem se desmentindo cada dia mais e revelando sua perversidade. Não consegui encontrar uma só situação em que me trouxesse um bocadinho de nada de alegria ao ver uma outra pessoa gargalhando. Ao contrário: cada dia mais esse câncer vem me irritando e provando por si só o qual nociva é essa gargalhada. Egoísta e burra, não passando de chacota, gozação, zombaria.
Avisem-me ao visar uma criança gargalhando a ponto de mijar nas calças após ganhar um docinho. Aposto que seria a coisa mais sinistra em disparada. Uma boa cena p’rum filme de terror de primeira categoria.Venho cultivando essa fobia e aprendendo cada vez menos a conviver com esse mal. Portanto, não venha com suas gargalhadas ofensivas pra cima de mim, que como diria um amigo “juro que te dou um soco!”.

Pra Falar Sobre Política

Não sou dos que fica vendo pêlo em ovos. Fora de mim as teorias conspiratórias quais culpam a pobrezinha da política por qualquer probleminha social corriqueiro a troco de ideologias individualistas e o escambau.
Há os que acham que o nosso presidente Lula fora eleito por culpa de uma grande massa burra, despolitizada e inferior. Há também o grupo, qual eu me perfilo, que simplesmente acha que foi, ele, eleito por uma maior porção de pessoas – lógico –, que resolveu escolhê-lo por atender melhor a seus interesses.
A política é uma ciência simples e boba, não há causa pra perder tempo com discussõezinhas filósofo-filantópo-sociais.

sábado, 23 de junho de 2007

Cortesia ao Farmacêutico

Nosso avô era homem mocinho, positivo – menino, sim. Não causava descontentamento com quem quer que fosse, o melhor homem da terra. Um tormento que dessa terra não difundisse seu reconhecimento. Podia ser príncipe, pai, filho, podia ser Deus, podia ser fazendeiro, que de fato era. Fazendeiro? Quer dizer, farmacêutico. Certo qualquer disse um dia, que o homem é aquilo que faz. Digo que com ele, meu avô, não era assim. Chamava-se Décio. Décio pra mim, seo Décio, ouvia-se.

Como uma criança atuando num filme de gente grande, do que eu mesmo me alembro, ia eu, sempre pedir chicletes em sua farmácia, até que quando era interrompido nos risos por uns de seus clientes. É aí que metamorfoseava-se num farmacêutico e tanto. Tanto sério, tanto eficiente. Atuava como ninguém, era ator do corriqueiro. Nessas suas performances incríveis – como um filho acena pra mãe em seu teatro escolar -, ele me soltava uma ou outra piscadela, com cautela, para que não fosse evidente. Era mágico, acompanhando pelo chiclete do pote.

O que ele realmente sempre esperava, era o fim dos dias de trabalho semanais, dormia pensando no fim de semana, ansiava pelo dia seguinte. Não pense que desgostava desse seu papel não, era tudo muito bem apreciado, ah, com o sorriso e os olhos brilhantes. É, da arte que inventava o outro sorrir, refeito ingênuo.

A espera era merecida, como um mergulho fundo num rio claro e brando, viajava s’embora pro seu sítio, daí fazendeiro. O “Recreio do Papai”, todo fim de semana era visitado por seo Décio.
Interpretava com gosto invejável o fazendeiro, em rigoroso traje, ainda que ordinária roupa de brim, sem polainas, esporas, quiçá nem botas. Tinha os dedos tímidos postos pra fora da sandália, sandália improvisada de um velho sapato cortado as pontas.

O recreio era do “papai”, mas quem o aprontava, era a “mamãe”.

Mesa sempre posta com os eternamente quentes pães caseiros. E a garrafa de café, cafezinho aquele que brotava daquela mesma terra. Em memórias mais apagadas, lembro-me da vovó torrando o café ali mesmo, do lado de fora do rancho e alastrava como encanto, o aroma para cantos e recantos. Árdua tarefa de nossa avó, tratar do tal recreio, jeito dela, cuidadosa e singela.

A vitrola riscava uns discos de música caipira e uns boleros. Enquanto nosso avô ausentava-se para sua terapia. Devia ele não encarar como uma terapia, mas como tarefa, que exigia esforço e sacrifício! Nem matos rasteiros, tufos de moitas, troncos largos e arbustos restavam. Seo Décio logo os atirava fogo. Tolo é aquele que não aprecia a beleza do fogo. Sábio era ele, que abria um sorriso e chamava-me pra ver a chama se alastrando e erguendo um mundaréu de fumaça. Lindo!

Jamais ressentia-se, de sede, fome, frio, calor, nem do desconforto costumeiro ele tirava queixa. Seu cabelo branco não dizia nada.

Uma coisa ruim, muito ruim, o pegara e como de costume não se queixou.

No leito do hospital, repousou. Num dia, minha visita parecia pertinente. Estava deitado na cama como se fosse necessário. Com brilho nos olhos e no sorriso que me presenteava quando na beira da cama. Esperava que fosse mais uma atuação bem elaborada, logo chegaria o fim de semana e ele ia s’embora pro sítio. Enganei-me dessa vez.

Eis o dia que morreu. Espalhou-se então, a morte, espanto, terror e pavor. “homem desses não há de morrer!”, não fora visto fora essa vez, não por mim, em um lugar tão triste, numa situação tão horripilante. O choro de minha avó me deixava mais preocupado ainda.

Construiu uma família, a maior que conheço graças à herança toda de seo Décio. Herança de vivência com homem bravo. Houve tal homem – um dia, na terra – nosso avô.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Alda: Menina Invisível

Num dia tão belo e oportuno
invisivel pediu pra ficar,
pra que pudesse peças pregar,
doces roubar e sem medo, transar.
"Eu te afortuno!"
E invisivel passou a se levar

Tudo bem ocorreu até então,
Alda riu, Alda se divertiu;
Alda riu e sentiu tesão.
Mas dum tempão assim passou
e Alda não podia mais voltar.

Visível mais, não podia se tornar.
Tentou e tentou se adaptar,
mas como claro é o destino,
Alda morreu.
De desgosto e solidão.


Para Alda.
Ela acredita fielmente, quando passa por uns momentos específicos, que está, sim, invisível como ar. Espero que não morra, menina, cê é das boas. Louquinha, mas das boas.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

As carolinas

Não, Sofia, não vou escrever sobre as carolinas.

Mais um conto infante

Suas investidas amorosas nunca foram assim, das melhores. Era um homem então que passava tardiamente pela pré-adolescência. Não mais tarde, Nilton tropeçou em um belo par de coxas. A moça, e sua beleza magistral conquistaram, então, o garoto. Acreditem, era uma belezura de mulher. Apaixonado, daí, passou a conviver com seu amor. Brincaram de banco imobiliário, andaram de pônei, tomaram sorvete.

Não suportava mais sua mãe dizendo que devia voltar para a casa, dormir em sua cama. “sou sua mãe afinal, eu estou exigindo isso!” – ela podia exigir isso, afinal, era sua mãe! Disse com as veias saltando da testa. Ele não gostou tim tim por tim tim disso tudo, e num sopetão deu-lhe logo um pontapé no estômago e procurou arrego com sua namoradinha. Ela logo fez-lhe um cafuné, serviu leite quente e uma massagem nos pés.

Estava decidido sobre seu futuro: Aos vinte e dois anos teria filhos e um lindo casamento com Lívia – o par de coxas –longe de sua mãe insuportável e seus insuportáveis deveres rotineiros.

Suas investidas amorosas sempre foram das melhores. Era uma mulher madura, nunca precisara treinar os beijos em um cubo de gelo boiando em uma xícara. Não mais tarde, Lívia tropeçou em um belo par de coxas, um homenzarrão – Para esclarecimento: Não, não era o Protagonista. Lívia jogou-se aos seus pés e disse-lhe umas palavras românticas. Os dois montaram num pônei e saíram “voando” – não se voa literalmente em pôneis. Fugiram para o Caribe para viverem felizes para sempre.

Nilton, em prantos, correu –segurando a indignação no sovaco –para os braços da mamãe, e então descartou todos aqueles lindos planos de vida e foi viver suas atividades rotineiras com a família.

Nilton morre de derrame – claro, depois de um tempo –e acaba.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ninguém Rejeita Um Abraço

Tenho inspiração pra me apaixonar mais de quatro vezes por noite. É involuntário, eu juro, não me chame de patife. Diria que isso é banal, uma meninice. O procedimento é mais ou menos assim: Crio uma aura na garota apaixonante e isso me deixa morto de medo ao me aproximar dela; diria que seria muito destemido da minha parte essa tal aproximação.

É por essa e outras covardias que procuro ser o menos invasor possível nessas aproximações.
Outra noite mesmo, fiquei apaixonado por uma menina – que aliás se chama Bruna (agora são dezoito) -. Perdi a timidez depois de algumas doses de uísque e vomitei umas palavras:

- Oi... Eu... É que... Eu ia te dizer que (Para a garota, que acabara de me conhecer, eu parecia um mísero, desafortunado, mais acanhado que quando fui flagrado por minha irmã enquanto me masturbava com uma foto de uma de suas amigas: O que de fato eu era) Eu ia dizer que te amo, mas meu amigo me disse que se eu fizesse isso, eu iria, então, ser completamente rejeitado por você.
- vai ser rejeitado mesmo não dizendo que me ama. Respondeu.

Daí então, minhas investidas amorosas se reprimiam à “Oi, eu te amo, me dá um abraço?”. Porque ninguém rejeita um abraço.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Errata: Milionário, e não miLHonário,
a não ser que eu esteja falando sobre milhos.

domingo, 6 de maio de 2007

Sede, hum, e que sede!

Não chovia por sete anos três meses e doze dias. As nuvens pregavam peças e quando estavam pretas como carvão, a população se juntava toda na praça em frente à igreja e faziam uma grande festa esperando que caísse a tão esperada água do céu. Nunca terminaram a festa.

As vacas, secas como um cachorro, se revoltaram e fizeram greve de leite. Os moradores caíam ao chão um por um, implorando a Deus para que mandasse água. Uma camioneta passava pelas ruas esburacadas com um sujeito na caçamba segurando um alto-falante e gritando “Economizem toda a água que têm, a prefeitura agradece”.

Antônio que tinha uma piscina em sua casa, ficou milhonário, e, fim!

sábado, 5 de maio de 2007

Defecação de palavras, com auxílio do balde

Hoje fui cagar, esse é uma das minhas necessidades costumeiras, cagar. Para o bem do meu intestino. Para alguns, cagar bastante é uma salvação, uma demonstração de pureza, uma terapia! Não digo que o pratico como esporte, é só um costume selvagem. Espero cagar bem até o leito de morte, o meu esfíncter, ao menos, está em forma, embora vários grupos musculares participem desse ato tão belo. Enfim, a defecação é um exercício para com o ego.

Quando pequerrucho, roubava livrinhos da biblioteca da escola, não o fazia sozinho, era uma ação criminosa conjunta, quase que a máfia do livro (dizíamos orgulhosos). Eu e outros integrantes da máfia – também metidos a intelectuais –, pegávamos os livros mais improváveis, não para evitar que a bibliotecária notasse a falta deles – éramos ousados, acredite -, mas para própria curiosidade. Levei, uma vez, uma coleção de livros de psicologia. Eles Tinham pensamentos e reuniões de idéias de muitos psicólogos dos bons, sobre análises do ser humano, acho isso ser psicologia, né? Um dos capítulos do livro dizia sobre a defecação, dizia que a criança ao cagar pela primeira vez sentiria um enorme orgulho, essencial para o resto de seu desenvolvimento, pois era a única coisa sólida – literalmente – que ela fazia por conta própria, sem a ajuda de ninguém sequer! Isso ajudaria na formação de caráter.

Acontece, que hoje – não o hoje em dia, digo hoje mesmo, dia quatro de maio -, ao finalizar a minha costumeira cagada, puxei a descarga a seco. Não estava funcionando, e a merda ficou lá, boiando, intacta e decisiva a não sair. Estava nervoso, com medo daquela coisa enorme e desgostosa que saíra de mim. Eu a encarei por muito tempo, e não a engoli, eu juro! Tive de usar um auxílio de uma ferramenta alternativa muito eficiente: O balde. Apesar de ser surpreendido por uma visita feminina flagrando a suspensão do balde, acreditem, se eu pudesse escolher hoje o meio de despedir da minha merda, escolheria sem dúvida o balde.

(Queria ressaltar a minha inércia ao Microsoft Word não aceitar palavras santificadas como “merda” ou “cagar”, prometo ainda redigir uma carta à Microsoft, em prol das inocentes palavras excluídas de seu dicionário interativo)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Relatório 6º experimento, Física II

"Nossos experimentos e cálculos, não foram fiéis à teoria, o afobamento para o encerramento da aula e a extrema inexperiência colaborou para as margens de erro colossais, superiores a 220% em nossos resultados.
Também devemos contar com o péssimo reflexo ao pressionar o botão do cronômetro (instrumento não preciso) durante o início e o término do movimento do aro.
O Ventilador, então, como sempre, carregará a culpa de provocar uma resistência do ar superior à esperada. Esperamos que essa greve que estamos sofrendo venha a resultar em verbas para a melhoria de nossos laboratórios."

-Eu faço a conclusão!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Afinal, como diz o sábio Silvio Santos, vale tudo por dinheiro

sexta-feira, 30 de março de 2007

Para resolver a vida

Costumo dar centenas de voltas por entre meu quarto apertado, pensando e me queixando de que preciso de tempo. Preciso de tempo para pensar, escrever, ouvir música, tocá-las e até namorar.
Costumo, então, gastar centenas de minutos nessa rotina. Bem, poderia converter esse tempo todo perdido em dinheiro, isso! Ah, se eu tivesse uma montanha bem grandona de dinheiro pra poder comer e viajar à vontade, não estaria por aqui perambulando nesse piso frio e maldizendo a vida. Pois é, tenho que estudar por no mínimo cinco anos para depois trabalhar por mais uns quinze e daí, então, ter o meu desejado tempo sobrando? Se tudo der nos trinques! Então, pensando, se por um acaso eu ganhasse um dinheirão numa bolada só, pouparia mais uns vinte anos de sufoco e descontentamento.
É, preciso resolver uma maneira simples e inteligente de ganhar dinheiro – juro que dessa vez não é abrir um carrinho de lanche e muito menos ganhar na loteria.
Porcaria, ando passando por uma fase com demasia depressão, fumo um cigarro depois de alguns meses sem fumar, mas não é um cigarro qualquer, ele estava perdido dentro de uma gaveta, sob alguns conjuntos de papéis, faço pra tentar pôr um fim nessa euforia de querer resolver a vida em alguns minutos, e cortar também o efeito da jarra de café que tomei durante a tarde.
Prometo mudar de assunto assim que esquecer essas grandes idéias. Durmo, já que devo acordar às sete horas pra minha sempre aula de álgebra.


quinta-feira, 29 de março de 2007

Em meio à guerra

Os urros não me deixam dormir, são de meus colegas e vizinhos, eles devem estar descontando em mim como não conseguem no mundo. Não me adapto à vida assim como ela está, preciso fazer alguma coisa, preciso quebrar esse programa, rasgar esse repertório pronto. Há um modo, eu sei que sim, de que não volte a amargurar e amaldiçoar tudo como é.
Não consigo dormir, mas eu preciso, amanhã preciso acordar às seis horas, não posso simplesmente aproveitar da minha insônia. Sou teimoso, aproveito mesmo assim, escrevo, assim amanhã não consigo me concentrar durante as aulas. Desse programa eu não sou dono, mas posso, como integrante, não fazer a minha parte.
Garoto que teima e apanha, cresce forte, gordo e bonito. Meus pais sempre fizeram a sua parte. Não que eu seja assim, como na regra, mas sou bonito, espero, que pelo menos isso, já que os urros não me deixam dormir, e ficarei feio como uma bruxa vesga e torta logo após o amanhecer. Não consigo cumprir a promessa de escrever alguma boa literatura, minhas aulas de cálculo estão fritando os meus miolos, descobri que faço a coisa errada, e me meto a faca por isso, noto agora, em meio a gritos desconcertantes. Por quê? Não sei se levo, não passa de uma grande mentira, grande e gorda. Já alimentei-a por tempo bastante. Espero que essa reflexão seja de bom proveito. Ah, porque é que não continuei a fazer aquele relatório, ou a estudar aquela merda (por que o dicionário desse programa de escrita não reconhece merda como uma palavra? Ele sempre sublinha, dizendo que está errado, ah, que merda!) de disciplina? Meto-me a faca por isso. Preciso de uma paixãozinha, dizem que isso resolve qualquer problema. Não quero ser engenheiro, quero ser um amantezinho.

Bravo, ou brabo pequenino

Caminhando em meio a uma pobre vila, desviando dos carros de ferro roído e em ferrugem que passavam voando em meio às ruas sem calçadas, gravo uma desavença de gigantes.
Um fedelho, miúdo, pele morena e montado em uma barra forte, com o dobro de seu tamanho, com sua inabilidade ciclística, quase passa sobre outro do mesmo porte, o qual se rebela e grita “Óia, moleque, óia que eu vou te bater, heim, seu pequenino!” o rapazinho, magricela, não hesita em responder “Então vem, vem aqui me enfrentar, aposto que tu não és páreo pra esse pequenino!”, batia então no peito com ferocidade que me assustava, intimidando o oponente, fazendo-o correr, mesmo com um porrete na mão. Comemorava então a sua vitória, com as pontas do pé tentando alcançar o chão de cima da barra forte, berrando “E vence o pequenino mais uma vez, urra!”.
Nunca tinha fitado tanta ousadia, subiu no selim e saiu pedalando cambaleando de um lado a outro. Daquela rua ali, era ele o dono.

sábado, 10 de março de 2007

Para Bruna, uma das dezessete

Temo por continuar a nutrir essa angústia de procurar palavras por botar em tua correspondência.
Só gostaria mesmo de te comprar um sorvete, beijar a tua mão e rir como se fosse brincadeira. Nossa falta de contato pôs abaixo os meus sonhos contigo... Não! Ao contrário, essa falta de contato fez com que eu te amasse, com que eu sonhasse e escrevesse. Agora percebo que escrevo essa carta para mim, você passa a ser um leitor.
E sim, desculpe, mas foram essas as palavras que escolhi para te escrever. Que fique então em minha memória, e que continue te amando, mesmo assim, sem te conhecer.

segunda-feira, 5 de março de 2007

O Homem e o Piano

Era uma vez um homem, que toda vez que tocava o seu piano...

É, desisto, inatividade é uma coisa que me deixa doido!
Prometo voltar prum patamar mais interessante.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Será que essa formatação, a que eu fiz nesse texto aí de baixo seria melhor que a da Pescaria?
Queria diminuir esse espaço horizontal que tenho para escrever, aí o texto tería uma imagem melhor. Não acham? Bom, então preciso aprender HTML.

Feitos de uma pequena corajosa

Estão defronte, um do outro, ela o olha com cobiça, um olhar encarniçado, como o predador olha para a sua presa; anda em sua direção com passos delicados e sedutores, ele permanece na mesma posição, porém seu medo não se esconde em sua posição de folha a cair. Do jeito que seus pés se movem, parecem hipnotizar, tanto a ele quanto a mim – que assisto a investida sentado no sofá do quintal, com curiosidade.


O gafanhoto tinha o dobro de seu tamanho, mas ela, a osga, tinha um ímpeto assustador, enquanto as demais, espalhadas pela parede branca, buscavam as pequenas moscas, que em demasia ficavam ao redor da luz. Ela, em especial, queria dar o bote, estava decidida.


Era aniversário do meu avô, a família toda estava presente. Logo após o farto jantar, todos estavam sentados em suas cadeiras, sem expressão, respirando e bebendo alguma coisa que aliviasse o mal-estar. Distendiam os maxilares e coçavam a barriga.Estava eu, satisfeito, fazendo a digestão e assistindo à incrível cena.


Se aproximava cada vez mais, desgrudava e movia as patas da parede. Não conseguia esconder o meu entusiasmo, minhas pernas quicavam no chão e meus braços contorcidos enquanto roia as unhas.

- O que é que ta fazendo aí? Disse a minha avó invadindo assim com brutalidade a minha distração. Logo eu disfarcei muito bem e conversei com ela, mordendo os lábios de curiosidade. Afinal, eu tinha vergonha, achava ridículo dize-la que estava assistindo a caça de uma lagartixa, merda, é muito menos ridículo que assistir ao jornal!

A cada olhadela que eu dava para traz ela estava mais próxima, e eu mais distante de acompanhar. Não resisti e abandonei a vovó para dar toda atenção àquele réptil pequeno e corajoso.
Ela pára, completamente de se locomover, está então a uma distância suficiente para atacar, meu coração uma hora dessas sai pela boca. Pinicado por perguntas e curiosidades da minha avó, eu continuo a não oferece-la atenção.


Quando, num supetão, a osga ligeira dá uma sangrenta e feroz abocanhada no inseto. Ele cai no chão como cai um homem morto na sacada de um prédio, cruzando e contorcendo suas patas.


A osga? Ficou ali estagnada, como se erguesse o troféu de campeã. Afinal, seria impossível engolir aquele bicho todo. Como não pensei nisso...Ela estava praticando um esporte.

- E como anda a vida lá na faculdade? Continuava a me perguntar.

Compartilhando problemas, 1

Ah, a gripe!
Uma tristeza orgânica, te deixa mal, te deixa melancólico.
É uma fase psicológica que todo ser humano deveria vivenciar,
Uma catástrofe sem tragédia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

A Pescaria

Samuel em uma madrugada foi interceptado por seus amigos para que fossem pescar assim que o sol desse a cara. Seus três amigos eram estudantes de engenharia mecânica, todos também recém-chegados, todos donos de uma boa índole, e um humor esplendoroso.
Sua empolgação com a futura pescaria foi tanta, que antes de dormir, organizou no canto do seu quarto, o seu chapéu e as tralhas para a pescaria, esperava voltar com redes e redes de peixes, abrir uma peixaria e com o dinheiro dos peixes comprar quilos de chocolate, e pacotes de bolachas recheadas, e é claro impressionar todos os outros com a sua nata habilidade de pescaria que aprendera com seu avô falecido já nesse dia. Seu avô era aquele que o inspirou para até o leito, todas as atitudes tomadas por Sam antes eram apenas um "o que será que o vovô faria agora?", triste é saber que foi pensar assim só depois da tragédia que foi a morte do avô Décio, tomado por uma inflamação generalizada, fez o jovem Sam repensar em todos os preconceitos que tinha quando criança pelo mestre, afirmava ser ele um bobão, crianção, apesar de suas décadas de vida, mal entendendo que o velho era sim, o grande inspirador de uma enorme família honrosa, era um homem sábio, inteligentíssimo, de palavras que valiam ouro! Soltava os primordiais "Ê, netão do vovô!" e outros trechos filosóficos sempre que sentia vontade. Grandes eram as pessoas que entediam o seu Décio Celso, pois ele sim, daria um livro best-seller! Pena que as histórias de ninar ou até as contadas durante a pescaria não seriam suficiente para escrever um livro. Sam queria que seu avô soubesse de tudo isso, lamentava profundamente de não ter falada nada disso para ele enquanto vivo, acredite, não havia homem mais bondoso que ele na face da terra, em seu leito, milhares de flores e homenagens foram feitas em volta de seu corpo, pela cidade toda. Sam jurava que um dia iria até a sua lápide prestar uma homenagem e agradecê-lo ao homem que é hoje.
Toda a expecatativa na pescaria não tinha adiantado muito, depois de duas horas buscando por minhocas e mais algumas esperando para que o peixe fisgasse qualquer uma das íscas abaixo d'água, já não pensava em abrir uma peixaria, mas pelo menos devia impressionar alguém. Foi então que a coceira na cabeça o fez ter a primordial idéia, e então com um enorme sorriso maligno, tocou o ombro de Henrique, o qual dirigia seu carro rumo à derrota e disse:
- Já sei, leva o carro pra peixaria já, e vamos juntar uns trocados! Dito e feito, compraram três peixões inteiros e fresquinhos, colocaram dentro de uma redinha e foi assim que o grande teatro foi feito. No ato final, os bem sucedidos pescadores assaram a caça com o mesmo prazer de primata, se alimentando de seu trabalho. Os moradores com olhos de admiração, parabenizava-os pela lorota, muito bem elaborada, enquanto os felizes primatas deglutiam a sua carne assada, fornecendo energia para a sempre adiada próxima pesca.

Sempre que me passa de escrever uma estória, logo imagino como ponto de partida “Era uma vez”, se hoje comento de escrever começando com “era uma vez” vão logo me perguntar “Ah, vai escrever uma estória infantil?”, “Não”, respondo “Adulta, mesmo!”.
Acho que não tenho ainda maturidade suficiente pra escrever assim. É bem complicado.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Mais um dia

Apreciara outro dia - enquanto ocupava o lugar de minha mãe fazendo a minha irmãzinha dormir – a sua inquietação de espírito pelo amanhã, ao contrário de mim, que ao deitar na cama com as luzes já apagadas e o barulho da ventoinha do meu computador me hipnotizando, fico relembrando os fatos do dia que passara, ela a rapariga em questão, fica ansiosa pelo que vai acontecer no dia seguinte. É ansiosa em demasia, que chega a esperar por fatos obsoletos e ridículos. Dissera-me sussurrando no ouvido “amanhã vai passar o filme do shrek, eu quero assistir, amanhã à noite, assiste junto comigo?”, aposto que estava se mordendo toda e não via a hora que a noite toda passasse num piscar de olhos e assim ao sair da escola comia alguma coisa e ficasse em frente da televisão esperando o tal do filme começar.

Os dias estão sempre na mesma, pra mim, espero por alguma coisa diferente, assustadora ou encantadora, algo espantoso, inimaginável. Mas mesmo assim, não tenho essa angústia na hora de dormir.Escrevo isso justamente, sem nenhum acontecimento me provocando, sem nenhuma expectativa, me aplico em emporcalhar meu blog.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Apreciando a apreciada peraltice alheia

Então, sonhei que a gente era como os Power Rangers, sabe? A gente batia nos inimigos com umas armas à laser e aí quando alguém chamava a gente ia logo correndo pra salvar. Eram todos coloridos, com uma roupa muito louca! Ah, e tinha a Marina, é, ela era loira, sabe? A Marina, loira! Aí ela ficava bobeando e eu me mexia feito aqueles supereróis de filme que se mexe rapidinho, sabe? É, então, ela ficava bobeando, mexendo no cabelo, que era loiro, aí eu chegava do lado dela, rapidinho, e “TCHARAM!” fazia umas coisas engraçadas. É, além de supereróis a gente era engraçado! Tinha uns lances meio Chapolin no meio, ao contrário, quando tomávamos uns remédios e ficávamos grandalhões, ao contrário do Chapolin e sua pílula encolhedora, que quando ele tomava ficava pequenino, nós, de outro jeito, ficávamos do tamanho de prédios. E quando batia no monstro ou o que quer que seja ele trombava com os prédios e destruía tudo! É, pancadaria!Ah, adoro quando tenho uns sonhos assim, quase nunca consigo lembrar mesmo, quando eu lembro, preciso contar pra todo o mundo.
"desculpa os erros de grafia, sabe bem você que é tão gostoso escrever assim”.

Prantos Vs. Gargalhadas

Extra! Extra! Rapaz percebe sua velhice com 18 anos de idade!
Quem diria, decerto estava envelhecendo, mas não compartilhava desse conhecimento. Como se sua infância não perdurasse, vinha em sua mente memórias dessa época extinta; as imagens eram ardentes, extremamente coloridas, os cheiros mais fortes e seduziam com maior intensidade, o gosto despertava interesse e os sons atraiam; texturas sim, agradavam. As memórias daí venciam das de ontem.
Prantos, não experimentei mais - não aqueles espontâneos, os teatrais ainda cultivo para vencer ou trapacear em alguma situação -, a extinta fase guarda prantos assim como gargalhadas com a mesma intensidade, lembro-me de derramar lagrimas logo a bola gelada de chocolate cair da casquinha do sorvete, ou até seguida de uma sova paterna. Hoje seria motivo de piada. Hoje, tudo é motivo de piada. Parece que o riso venceu dos choros. O Leitor deve pensar “que ótimo, vamos festejar!”, é difícil, até, falar, mas careço de um ou outro choramingo, ou de até derramar um mar de mágoas em lágrimas. Parece que essas piadas todas que com o tempo foram vencendo, acabou por destruir um lado do meu caráter.
Aquele leitinho, do café da manhã, não tem mais o mesmo gosto de antes. Parece que agora se transformou numa rotina, apresenta como um meio de saciar o incômodo que é não cumprir esse caminho já trilhado e virou um saco de funcionalidade.
Uma coisa eu aprendi com essas memórias vivas da minha infância – e não é só um ancião que tem a permissão de usar esse verso – e é a de que tudo tem uma finalidade e não interessa mais o meio.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Filhormônio

Rapazinho, azarado em sua primeira experiência de amor, gera um novo homem. Após noites e dias mal dormidos, desavenças e rixas familiares; se encontra defronte a mãe de seu futuro filho.
- Então, Sofia, ta tudo bem contigo?
- Bem, Antônio! Como é que pode estar tudo bem comigo, não ta vendo o tamanho desse meu bandulho? Acha que é fácil, que é só ficar aqui deitada lendo livros o tempo todo, cultivando minha protuberância e comendo danoninho? Então está enganadíssimo. E os meus sonhos, meus problemas familiares, minha vida no futuro? Ah, não é possível, cê ta ficando louco.
- Calma mulher, não foi isto que eu quis dizer, eu só...
- Ah é? Isso porque não é você que ta tendo as dores que eu to. E o parto então! Imagina só como deve ser horripilante aquela criança toda, aquele volume todo, saindo de seu sexo!
- Que exagero, So, isso tudo é uma bênção, é um poder de Deus de gerar uma criançinha nova para o mundo, nada de ter que...
- Bênção?
- É.
- Bênção?
- É.
- Bênção? Bênção? Não é possível, você só pode estar brincando! Puxa vida, queria que vocês, homens, ficassem grávidos, só pra passar por todos esses sofrimentos que desconhecem.
Antônio perdera a paciência, e rubro como o fogo desespera e enfia a maior verdade do universo:
- Mas acontece que nós homens não ficamos grávidos e ponto!

É, sem medo nenhum, ato de bravura!
Em que adianta ter ou ser, isso não vale nada.
Que merda. Preciso fazer alguém acreditar nisso!
Ela mesma, não é nada e não tem nada,
E eu aqui, me mordendo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Atos de Bravura?

Cumprimentam-se com beijinhos cinzentos no rosto, o máximo que pode acontecer é aquela vontade de ternura brotar nele e seu lábio avançar um pouco mais - não ao ponto de chegar a sua boca.
Relacionamento difícil de rotular, inclassificável. Em ocasiões raras, os beijos se afloram pelo corpo inteiro, nada de sexo, nem passa pela cabeça do jovem. Na dela? Não sei, não consigo captar os seus sentimentos. O Protagonista tem medo "não sei se será conveniente me expor antes de conhecer o terreno, sou capaz de precipitar tudo!", mas como dizia Magalhães "Tem-se comparado o amor à guerra. Assim é. No amor, querem-se atos de bravura como na guerra. Avança afoitamente e vencerás!”. Ah, mulheres! Não se impõe, são neutras, são neutras, porém, inflexíveis. Difícil manipulação.
Sua vontade não consegue afasta-lo do afeto feminino, mas como dizia: “Ah, mulheres...”, Não sei por que todo esse apego ao sexo oposto, se usasse o tão acomodado cérebro não escolheria nenhuma das garotas de seu coração. Ah, não!
Há de ir pra guerra, pra guerra do amor e praticar os seus atos de bravura. Ou não, tudo isso não passa de lorota. Deve mais é que continuar com sua depressão amorosa, pois os atos de bravura nunca valem à pena.

Confissões do dono do jogo

É engraçado a neo fobia do povo - odeio essa palavra, povo, parece que é uma parcela excluída e sofrida por sua posição social, odeio essa outra palavra também, sociedade. Há, os tempos marxistas já eram, pensar em desigualdade social e bem estar público é achar piolho pra se coçar. To cansado dessas discussões e balela públicas, aliás não quero mais saber dessas brigas verbais; ficam aí vomitando palavras e tentando pregar sua ideia! Que coisa mais sem sentido. E é por isso que eu insisto: O mundo está e sempre estará perfeito, querer resolver os problemas globais e colocar o homem no centro do universo, é querer brincar de superman - quando eu tinha lá pelos 6 anos, meu pai botava os pés dele no meu peito e deitado na cama, me levantava só com as pernas, eu abria os braços e brincava de superman!
Andei me aproveitando das vantagens do dono do jogo. Lembra de quando você tinha um jogo e trazia os amigos pra brincar com ele? Quando ganhava seus amigos alegavam que por você ser o dono do jogo. o fogo nas entranhas apareciam de imediato, e ai se a mamãe não estivesse por perto, eram cabeças rolando pro chão. Tenho que parar com essa mania de querer ser Deus e ficar bolando planos mirabolantes pra pagarem com erros, me travestir de mediador e ficar jogando ideias repugantes nas cabeças dos outros. Tenho que parar com essa mania de ser Deus e quebrar alguma coisa, dar umas palmadas, apanhar e ter uma personalidade. Preciso fazer alguma coisa de útil pra mostrar pros outros, me orgulhar e enfiar no cu. Tá parecendo mais um livro de sermões, preciso também improvisar algumas coisas mais interessantes pra enfiar - não no cu - nesse blog.
Minha irmãzinha vive dizendo "Oi Filipe!" mesmo já tendo me visto por muito tempo, hoje mesmo na quarta vez que iria dizer, resolveu mudar "Oi Filipe, de novo!", esses sim resolvem os grandes problemas do mundo. Vai lá saber por que é que fica me cumprimentando.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Fiat postagens!

E começa o plano de colagens eternas de figurinhas!
É, o plano mesmo seria o de botar aqui um aide mémoire, vou ficar escrevendo punhados de besteiras e memórias, há, se você tiver interessado pode acompanhar isso tudo, essa é que é a vantagem da Internet. pra que vou sair de casa se tenho a Internet?