Prantos Vs. Gargalhadas
Extra! Extra! Rapaz percebe sua velhice com 18 anos de idade!
Quem diria, decerto estava envelhecendo, mas não compartilhava desse conhecimento. Como se sua infância não perdurasse, vinha em sua mente memórias dessa época extinta; as imagens eram ardentes, extremamente coloridas, os cheiros mais fortes e seduziam com maior intensidade, o gosto despertava interesse e os sons atraiam; texturas sim, agradavam. As memórias daí venciam das de ontem.
Prantos, não experimentei mais - não aqueles espontâneos, os teatrais ainda cultivo para vencer ou trapacear em alguma situação -, a extinta fase guarda prantos assim como gargalhadas com a mesma intensidade, lembro-me de derramar lagrimas logo a bola gelada de chocolate cair da casquinha do sorvete, ou até seguida de uma sova paterna. Hoje seria motivo de piada. Hoje, tudo é motivo de piada. Parece que o riso venceu dos choros. O Leitor deve pensar “que ótimo, vamos festejar!”, é difícil, até, falar, mas careço de um ou outro choramingo, ou de até derramar um mar de mágoas em lágrimas. Parece que essas piadas todas que com o tempo foram vencendo, acabou por destruir um lado do meu caráter.
Aquele leitinho, do café da manhã, não tem mais o mesmo gosto de antes. Parece que agora se transformou numa rotina, apresenta como um meio de saciar o incômodo que é não cumprir esse caminho já trilhado e virou um saco de funcionalidade.
Uma coisa eu aprendi com essas memórias vivas da minha infância – e não é só um ancião que tem a permissão de usar esse verso – e é a de que tudo tem uma finalidade e não interessa mais o meio.
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