quinta-feira, 29 de março de 2007

Bravo, ou brabo pequenino

Caminhando em meio a uma pobre vila, desviando dos carros de ferro roído e em ferrugem que passavam voando em meio às ruas sem calçadas, gravo uma desavença de gigantes.
Um fedelho, miúdo, pele morena e montado em uma barra forte, com o dobro de seu tamanho, com sua inabilidade ciclística, quase passa sobre outro do mesmo porte, o qual se rebela e grita “Óia, moleque, óia que eu vou te bater, heim, seu pequenino!” o rapazinho, magricela, não hesita em responder “Então vem, vem aqui me enfrentar, aposto que tu não és páreo pra esse pequenino!”, batia então no peito com ferocidade que me assustava, intimidando o oponente, fazendo-o correr, mesmo com um porrete na mão. Comemorava então a sua vitória, com as pontas do pé tentando alcançar o chão de cima da barra forte, berrando “E vence o pequenino mais uma vez, urra!”.
Nunca tinha fitado tanta ousadia, subiu no selim e saiu pedalando cambaleando de um lado a outro. Daquela rua ali, era ele o dono.

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