O mais novo ex-funcionário
E ainda tenho que suportar toda a avareza tua.
A gente nasce e já ouve mileuns palpites pro próprio destino. Compram-nos uma camiseta dum time de futebol qual nem mesmo discernimos a cor e dizem “esse vai ser corintiano!”. Botam-nos numa escolinha e nos ensinam a ler. Daí, a gente cresce e vira moço. Pagam-nos um cursinho porrada, ou uma faculdade daquelas firmezas.
A gente passa a vida toda estudando, sonhando, pagando e estudando, de qualquer jeito.
Isso, a gente sonha... Sonha trabalhar pra Embraer, General Motors e o escambau. Botar aquele sorrisinho lindo na cara e aquele uniforme estilo ridículo: macacão e quepe.
Então dá tudo certo e temos o tal emprego, ganhando nosso dinheiro de volta, com a razão estampada na testa e o emblema da empresa no peito.
Mas não é o suficiente, afinal somos humanos e nossa vida não pode continuar sem aspirar um destino. É aí que somos calados com uma proposta da mais justa e linda “aqui você pode subir!”, diz nosso superior, “pense na empresa como uma escada”, e nós subimos, estudamos mais e nos esforçamos mais pra poder subir cada vez mais. Subir, pra onde? Para um cargo melhor, um que nos renda mais dinheiro. Simplesmente.
Subimos! Subimos até um ponto que não existem mais degraus. Temos maços de dinheiro para comprar nossas porcarias há tempos almejadas. Notamos, por fim, que mesmo daqui do alto, tem, é claro, uma criatura mais bem afortunada, com mais maços de dinheiro e porcarias bem melhores que as nossas. Esse cara nos faz obedecer-lho. Fazemos. Mas é assim mesmo, é só, depois, dar aquele sorriso e ir para casa. Sofremos, pagamos e estudamos a vida toda para cumprir umas ordens a troco de dinheiro.
Portanto, patrão, não me faça ter de suportar toda essa tua avareza.
Um comentário:
Sou judia e amo dinheiro.
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