Ninguém Rejeita Um Abraço
Tenho inspiração pra me apaixonar mais de quatro vezes por noite. É involuntário, eu juro, não me chame de patife. Diria que isso é banal, uma meninice. O procedimento é mais ou menos assim: Crio uma aura na garota apaixonante e isso me deixa morto de medo ao me aproximar dela; diria que seria muito destemido da minha parte essa tal aproximação.
É por essa e outras covardias que procuro ser o menos invasor possível nessas aproximações.
Outra noite mesmo, fiquei apaixonado por uma menina – que aliás se chama Bruna (agora são dezoito) -. Perdi a timidez depois de algumas doses de uísque e vomitei umas palavras:
- Oi... Eu... É que... Eu ia te dizer que (Para a garota, que acabara de me conhecer, eu parecia um mísero, desafortunado, mais acanhado que quando fui flagrado por minha irmã enquanto me masturbava com uma foto de uma de suas amigas: O que de fato eu era) Eu ia dizer que te amo, mas meu amigo me disse que se eu fizesse isso, eu iria, então, ser completamente rejeitado por você.
- vai ser rejeitado mesmo não dizendo que me ama. Respondeu.
Daí então, minhas investidas amorosas se reprimiam à “Oi, eu te amo, me dá um abraço?”. Porque ninguém rejeita um abraço.