quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ninguém Rejeita Um Abraço

Tenho inspiração pra me apaixonar mais de quatro vezes por noite. É involuntário, eu juro, não me chame de patife. Diria que isso é banal, uma meninice. O procedimento é mais ou menos assim: Crio uma aura na garota apaixonante e isso me deixa morto de medo ao me aproximar dela; diria que seria muito destemido da minha parte essa tal aproximação.

É por essa e outras covardias que procuro ser o menos invasor possível nessas aproximações.
Outra noite mesmo, fiquei apaixonado por uma menina – que aliás se chama Bruna (agora são dezoito) -. Perdi a timidez depois de algumas doses de uísque e vomitei umas palavras:

- Oi... Eu... É que... Eu ia te dizer que (Para a garota, que acabara de me conhecer, eu parecia um mísero, desafortunado, mais acanhado que quando fui flagrado por minha irmã enquanto me masturbava com uma foto de uma de suas amigas: O que de fato eu era) Eu ia dizer que te amo, mas meu amigo me disse que se eu fizesse isso, eu iria, então, ser completamente rejeitado por você.
- vai ser rejeitado mesmo não dizendo que me ama. Respondeu.

Daí então, minhas investidas amorosas se reprimiam à “Oi, eu te amo, me dá um abraço?”. Porque ninguém rejeita um abraço.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Errata: Milionário, e não miLHonário,
a não ser que eu esteja falando sobre milhos.

domingo, 6 de maio de 2007

Sede, hum, e que sede!

Não chovia por sete anos três meses e doze dias. As nuvens pregavam peças e quando estavam pretas como carvão, a população se juntava toda na praça em frente à igreja e faziam uma grande festa esperando que caísse a tão esperada água do céu. Nunca terminaram a festa.

As vacas, secas como um cachorro, se revoltaram e fizeram greve de leite. Os moradores caíam ao chão um por um, implorando a Deus para que mandasse água. Uma camioneta passava pelas ruas esburacadas com um sujeito na caçamba segurando um alto-falante e gritando “Economizem toda a água que têm, a prefeitura agradece”.

Antônio que tinha uma piscina em sua casa, ficou milhonário, e, fim!

sábado, 5 de maio de 2007

Defecação de palavras, com auxílio do balde

Hoje fui cagar, esse é uma das minhas necessidades costumeiras, cagar. Para o bem do meu intestino. Para alguns, cagar bastante é uma salvação, uma demonstração de pureza, uma terapia! Não digo que o pratico como esporte, é só um costume selvagem. Espero cagar bem até o leito de morte, o meu esfíncter, ao menos, está em forma, embora vários grupos musculares participem desse ato tão belo. Enfim, a defecação é um exercício para com o ego.

Quando pequerrucho, roubava livrinhos da biblioteca da escola, não o fazia sozinho, era uma ação criminosa conjunta, quase que a máfia do livro (dizíamos orgulhosos). Eu e outros integrantes da máfia – também metidos a intelectuais –, pegávamos os livros mais improváveis, não para evitar que a bibliotecária notasse a falta deles – éramos ousados, acredite -, mas para própria curiosidade. Levei, uma vez, uma coleção de livros de psicologia. Eles Tinham pensamentos e reuniões de idéias de muitos psicólogos dos bons, sobre análises do ser humano, acho isso ser psicologia, né? Um dos capítulos do livro dizia sobre a defecação, dizia que a criança ao cagar pela primeira vez sentiria um enorme orgulho, essencial para o resto de seu desenvolvimento, pois era a única coisa sólida – literalmente – que ela fazia por conta própria, sem a ajuda de ninguém sequer! Isso ajudaria na formação de caráter.

Acontece, que hoje – não o hoje em dia, digo hoje mesmo, dia quatro de maio -, ao finalizar a minha costumeira cagada, puxei a descarga a seco. Não estava funcionando, e a merda ficou lá, boiando, intacta e decisiva a não sair. Estava nervoso, com medo daquela coisa enorme e desgostosa que saíra de mim. Eu a encarei por muito tempo, e não a engoli, eu juro! Tive de usar um auxílio de uma ferramenta alternativa muito eficiente: O balde. Apesar de ser surpreendido por uma visita feminina flagrando a suspensão do balde, acreditem, se eu pudesse escolher hoje o meio de despedir da minha merda, escolheria sem dúvida o balde.

(Queria ressaltar a minha inércia ao Microsoft Word não aceitar palavras santificadas como “merda” ou “cagar”, prometo ainda redigir uma carta à Microsoft, em prol das inocentes palavras excluídas de seu dicionário interativo)