A Pescaria
Samuel em uma madrugada foi interceptado por seus amigos para que fossem pescar assim que o sol desse a cara. Seus três amigos eram estudantes de engenharia mecânica, todos também recém-chegados, todos donos de uma boa índole, e um humor esplendoroso.
Sua empolgação com a futura pescaria foi tanta, que antes de dormir, organizou no canto do seu quarto, o seu chapéu e as tralhas para a pescaria, esperava voltar com redes e redes de peixes, abrir uma peixaria e com o dinheiro dos peixes comprar quilos de chocolate, e pacotes de bolachas recheadas, e é claro impressionar todos os outros com a sua nata habilidade de pescaria que aprendera com seu avô falecido já nesse dia. Seu avô era aquele que o inspirou para até o leito, todas as atitudes tomadas por Sam antes eram apenas um "o que será que o vovô faria agora?", triste é saber que foi pensar assim só depois da tragédia que foi a morte do avô Décio, tomado por uma inflamação generalizada, fez o jovem Sam repensar em todos os preconceitos que tinha quando criança pelo mestre, afirmava ser ele um bobão, crianção, apesar de suas décadas de vida, mal entendendo que o velho era sim, o grande inspirador de uma enorme família honrosa, era um homem sábio, inteligentíssimo, de palavras que valiam ouro! Soltava os primordiais "Ê, netão do vovô!" e outros trechos filosóficos sempre que sentia vontade. Grandes eram as pessoas que entediam o seu Décio Celso, pois ele sim, daria um livro best-seller! Pena que as histórias de ninar ou até as contadas durante a pescaria não seriam suficiente para escrever um livro. Sam queria que seu avô soubesse de tudo isso, lamentava profundamente de não ter falada nada disso para ele enquanto vivo, acredite, não havia homem mais bondoso que ele na face da terra, em seu leito, milhares de flores e homenagens foram feitas em volta de seu corpo, pela cidade toda. Sam jurava que um dia iria até a sua lápide prestar uma homenagem e agradecê-lo ao homem que é hoje.
Toda a expecatativa na pescaria não tinha adiantado muito, depois de duas horas buscando por minhocas e mais algumas esperando para que o peixe fisgasse qualquer uma das íscas abaixo d'água, já não pensava em abrir uma peixaria, mas pelo menos devia impressionar alguém. Foi então que a coceira na cabeça o fez ter a primordial idéia, e então com um enorme sorriso maligno, tocou o ombro de Henrique, o qual dirigia seu carro rumo à derrota e disse:
- Já sei, leva o carro pra peixaria já, e vamos juntar uns trocados! Dito e feito, compraram três peixões inteiros e fresquinhos, colocaram dentro de uma redinha e foi assim que o grande teatro foi feito. No ato final, os bem sucedidos pescadores assaram a caça com o mesmo prazer de primata, se alimentando de seu trabalho. Os moradores com olhos de admiração, parabenizava-os pela lorota, muito bem elaborada, enquanto os felizes primatas deglutiam a sua carne assada, fornecendo energia para a sempre adiada próxima pesca.
Um comentário:
Meu amigo, isso sim é uma história de pescador. E boa, ainda por cima.
Postar um comentário